Respeitar as horas de sono é essencial para prevenir doenças graves

Associação Brasileira do Sono alerta: brasileiros estão dormindo bem menos do que o necessário

Dormir menos que o nosso corpo precisa colabora para desencadear doenças. Foto: Bigstock.

Fome em excesso, mau humor e até problemas de memória são condições cujas causas podem ser encontradas nas noites mal dormidas — fora os distúrbios relacionados ao sono, como a insônia e apneia. E um fator mais simples vem preocupando os especialistas: a população está dormindo cada vez menos, hábito que traz prejuízos ao bem-estar geral e às funções cognitivas.

“Quando dormimos pouco temos prejuízos na memória, humor e atenção. E, a longo prazo, pode desencadear doenças como obesidade, diabetes e hipertensão arterial.” explica a neurologista Márcia Assis, membra da Associação Brasileira do Sono.

E as pessoas, segundo a médica, raramente associam condições — como a de se sentir cansado o tempo todo — com falta de sono. ”As pessoas pagam academia mas não conseguem ir no fim do dia, ou não fixam o que estudam e não imaginam que é a falta de sono ou um sono de má qualidade que ocasiona tudo isso. Por isso, queremos fazer o alerta”, salienta Márcia.

“Compensar” resolve?

Fim de semana muita gente gosta de “tirar o atraso” das horas de sono não dormidas de segunda a sexta-feira. De acordo com Márcia Assis, isso não adianta: “as pessoas acham que a dívida estará paga no fim de semana, e não adianta. Ela continuará cansada. Demoramos cerca de três dias para recuperar nossas funções quando dormimos pouco. Não ter regularidade é muito ruim para o nosso relógio biológico. Por isso, reflita sobre as suas atividades e crie um ritmo”, orienta.

Quantas horas por dia?

As horas variam conforme a idade: adultos, dos 18 aos 64 anos precisam de sete a nove horas de sono por noite. Idosos com mais de 65 anos, de sete a oito. Adolescentes de oito a 10 horas e crianças em idade escolar (nove aos 11 anos) de nove a 11 horas. A regra geralmente é: quanto mais jovem, mais necessidade de sono, e vice-versa.

“Nos adultos, quem dorme menos de seis horas tem um prejuízo muito importante no trabalho, direção e aprendizado. E, infelizmente, essa é a realidade do adulto. Muita gente me disse hoje que dorme apenas cinco horas por noite, e não tem tempo nem para um cochilo depois do almoço”, conta Márcia.

Melatonina não trata a insônia

Com a liberação pela Anvisa no Brasil da melatonina manupulada, muita gente passou a fazer uso da substância para combater a insônia — Márcia Assis esclarece que o hormônio, que começa a ser produzido pelo nosso corpo quando escurece, é um ritmador do sono, mas não trata os insones. “Quem tem insônia precisa de uma avaliação médica para ver qual é o tratamento necessário”, frisa.


Comentários