Vírus zika age em grávidas como o HIV
De acordo com pesquisa, agente patológico suprime o sistema imunológico das mulheres
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(foto: Timothy Sloan/AFP - 24/10/16) |
Para infectar os fetos, o zika tem uma ação no corpo de grávidas muito similar ao que faz o vírus da Aids. Pesquisadores da Escola Keck de Medicina, da Universidade de Southern California, nos Estados Unidos, descobriram que o zika suprime o sistema imunológico das mulheres, já enfraquecido naturalmente pela gestação, alterando a função dos glóbulos brancos - células de defesa do corpo.
“As grávidas são mais suscetíveis ao vírus da zika porque a gravidez já suprime o sistema imunológico da mulher para que seu corpo não rejeite o feto, que é essencialmente um corpo estranho (…) Nosso estudo mostra que as mulheres grávidas são mais propensas à supressão imunológica, e que o zika explora essa fraqueza para infectar o feto e se replicar”, ressaltou Jae Jung, presidente do Departamento de Microbiologia Molecular e Imunologia da universidade. O trabalho foi divulgado na semana passada, na revista Nature Microbiology.
A ação similar ao HIV é a da cepa do vírus zika asiático. Ela foi testada, assim como a cepa africana, em amostras de sangue de mulheres não grávidas e grávidas com idade entre 18 e 39 anos. Inicialmente, o material de todas as participantes foi infectado com ambas as cepas do vírus. No pico da infecção, conforme os resultados dos exames, o zika virou alvo dos glóbulos brancos CD14 + monócitos, que se transformaram em macrófagos, células grandes que “engolem” ameaças ao corpo.
No caso da cepa asiática, porém, os glóbulos acabaram se transformando em um tipo diferente de macrófago: o M2, que avisa ao sistema imunológico que não há mais perigo. O alerta incorreto acabou facilitando a ação do zika. A infecção pela cepa africana aumentou a supressão imunológica em torno de 10%. No caso da asiática, o índice chegou a 70%.
“Com a ajuda do sistema imunológico naturalmente mais fraco das mulheres grávidas, é possível que o vírus da zika asiático se infiltre no útero e se manifeste no bebê vulnerável”, disse Suan-Sin Foo, autor principal do estudo. Segundo a equipe, o vírus asiático do zika aumenta a supressão imunológica durante o primeiro e o segundo trimestres da gestação. Estudo anteriores mostraram que a placenta é mais suscetível à ação do micro-organismo justamente nos três primeiros meses da gestação.
Fonte: Portal Uai
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